8 em cada 10 acidentes do trabalho!

*Fonte:Site TST (Tribunal Superior do Trabalho)

Confira a quarta reportagem da Série especial sobre Terceirização - Terceirização e Capitalismo
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20.08.2015
 
REPÓRTER: A terceirização tem o estigma de ser uma forma de precarização do trabalho, mas, também, de ser uma ferramenta para o desenvolvimento do setor produtivo. Na quarta reportagem especial da nossa série, o repórter Ricardo Cassiano mostra a relação entre o capitalismo e essa modalidade de trabalho.
De um lado, a frente sindical contrária à terceirização. De outro, representantes do setor produtivo que defendem a flexibilização do mercado de trabalho. E, no centro do debate, cerca de 13 milhões de trabalhadores terceirizados no Brasil. Mas, afinal, de onde surgiu a terceirização?
A necessidade de contratação indireta de trabalhadores remonta ao fim dos anos 60, quando o sistema produtivo mostrava sinais de cansaço. A produção em massa dos países ricos forçou o capitalismo a se reestruturar. Na época, as grandes empresas fabricavam praticamente todos os componentes de produção. A terceirização permitiu o fracionamento dos processos e a consequente redução de custos.
Ainda hoje, o aumento da produtividade e da competitividade das empresas são bandeiras dos defensores do trabalho terceirizado. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Alexandre Furlan, é preciso se adaptar a uma nova realidade de mercado.
 
SONORA: Alexandre Furlan - presidente da CNI
 
Nós estamos é mudando a percepção do emprego. Mudando a forma de trabalhar. A terceirização, hoje, é um fenômeno irreversível. Ela reflete uma divisão de um trabalho que não existia antigamente, num contexto de diversificação de tarefas, pra que você tenha acesso, eventualmente, a melhores tecnologias, a uma melhor tecnologia associada à eficiência do processo produtivo, com impacto, muito, na competitividade.
 
REPÓRTER: Os setores que mais contratam empregados terceirizados, em números proporcionais, são, também, os mais ligados ao capitalismo e ao fenômeno da globalização. Empresas siderúrgicas, petrolíferas e os grandes bancos e construtoras encabeçam a lista. Nas últimas duas décadas, a ampla abertura econômica e financeira do Brasil resultou em uma explosão no número de trabalhadores terceirizados que, em muitas empresas, já supera o total de contratados diretos.
Mas a especialista em Direito do Trabalho Gabriela Delgado alerta que a busca por lucros e por uma boa posição no mercado não pode suprimir os direitos trabalhistas. Para ela, desvincular o trabalhador da empresa onde ele presta serviço prejudica o desenvolvimento do profissional.
 
SONORA: Gabriela Delgado - especialista em Direito do Trabalho
 
Regra geral, o tomador do serviço não investe nessa força de trabalho; regra geral, esse trabalhador não consegue construir uma identidade social porque ele não se reconhece naquele espaço de trabalho. De fato, é um sistema perverso que não assegura proteção do trabalho humano, na sua condição maior, fundada, aí, no valor da dignidade.
 
REPÓRTER: Autora de estudos sobre a terceirização no setor petrolífero, um dos líderes no ranking de acidentes de trabalho com morte, a professora de Sociologia da Universidade Federal da Bahia Graça Druck também critica a terceirização.
 
SONORA: Graça Druck - professora de Sociologia da UFBA
 
Eu, na realidade, acho que a terceirização não deveria existir. Porque ela tem sido, invariavelmente, precarização do trabalho em todos os sentidos. Nos vínculos, nas condições de trabalho, na saúde, na forma das pessoas conseguirem se organizar, na fragilização dos sindicatos, etc. Então, é um mal muito forte, que virou epidemia nessa fase que nós estamos vivendo.
 REPÓRTER: A professora diz que, como fenômeno irreversível, a terceirização deve, pelo menos, ter um conjunto de normas mais protetivas ao trabalhador.
A controversa regulamentação dessa modalidade de trabalho é tema da quinta e última reportagem da série especial sobre terceirização, que vai ao ar amanhã, no Programa Trabalho e Justiça.
 
Reportagem, Ricardo cassiano
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